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Verdade e fé

A verdade é estática, enquanto a fé é dinâmica (…)

O equilíbrio entre a verdade e a fé é análogo àquele entre a doutrina e o método, ou entre a mente e a alma; a mente bem disposta admite abstratamente a verdade, mas falta muito para que a alma a admita concretamente na mesma proporção ou segundo o mesmo ritmo; é à alma, bem mais que à mente, que se dirigem estas palavras: “Bem-aventurados aqueles que não viram, mas mesmo assim acreditaram.”

A fé é, antes mesmo de seus conteúdos particulares, nossa disposição para crer divinamente possível o que humanamente não o é.


Frithjof Schuon, Logique et Transcendance, Les Éditions Traditionnelles, 1970, cap. 7. Tradução de Mateus Soares de Azevedo.

Foto: Sacerdotes balineses com rosários e sinos de oração em cerimônia religiosa. Imagem de domínio público colhida na Wikimedia Commons. Para acessar o arquivo original, clique aqui.

50 mil acessos e uma nota já publicada

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Este website fez seis anos e completou agora 50 mil acessos, com mais de cem notas (posts) publicadas, três livros online, uma entrevista, vários ensaios e outros recursos.

Em 2019 produzimos menos e tivemos também um número menor de acessos, mais de 7 mil, contra mais de 11 mil em 2018. Mesmo assim, estamos satisfeitos com o que pôde ser feito e agradecemos a Deus por ter-nos permitido continuar com este trabalho.

O que importa — ensinam-nos Schuon, Guénon, Burckhardt e todos os grandes mestres — não é a quantidade, mas a qualidade. Se uma palavra de uma só nota desta publicação tiver ajudado concretamente uma pessoa a aproximar-se mais de Deus e a renovar sua compreensão e sua fé, já estaremos muito felizes.

Mas sabemos que mais de uma pessoa encontrou aqui algo que a ajudou, em algum momento, em alguma medida, em seu esforço espiritual. A Deus o louvor — e continuemos o trabalho.

Falando em esforço, ocorre-nos repetir aqui um excerto dos escritos de Schuon que já foi objeto de uma nota anterior:

“Na realidade, o que separa o homem da Realidade divina é uma barreira mínima: Deus está infinitamente próximo do homem, mas este está infinitamente longe de Deus. Esta barreira, para o homem, é uma montanha; o homem se põe diante de uma montanha que ele deve desfazer com suas próprias mãos. Ele cava a terra, mas em vão, a montanha continua ali; o homem, entretanto, continua a cavar, em nome de Deus. E a montanha se desvanece. Ela jamais existiu.”

(Frithjof Schuon, Les Perles du Pèlerin)

 


Foto: Frithjof Schuon num bosque perto de sua casa em Bloomington, Indiana (EUA).

Um novo livro online de Frithjof Schuon para o Natal

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Temos a alegria de, neste Natal, trazer ao leitor de língua portuguesa um livro de Frithjof Schuon que já se esgotou em papel, Raízes da Condição Humana, traduzido por nós, com ajuda de nossa filha Liana Becker Queiroz.

O livro começa com um belíssimo capítulo que explica o que é a inteligência. Outros capítulos discutem os limites da ciência, o conceito do Princípio Feminino supremo, o amor etc. Continuar lendo

O jagadguru de Kanchipuram e os sacramentos cristãos

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Jagadguru Chandrashekarendra Saraswati Swamigal

por Mateus Soares de Azevedo

Segundo a doutrina católica (e também da Igreja Ortodoxa), sete são os sacramentos (“signos visíveis de uma influência espiritual invisível”, segundo Santo Agostinho):

  1. Batismo
  2. Crisma (ou confirmação)
  3. Confissão (ou penitência)
  4. Eucaristia
  5. Matrimônio
  6. Ordenação sacerdotal
  7. Extrema-Unção (ou unção dos enfermos).

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A indiferença é a marca da Queda

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Tendo fechado ele próprio o seu acesso ao Céu e tendo repetido diversas vezes — e em marcos mais restritos — a queda inicial, o homem terminou por perder a intuição de tudo o que o supera e, junto a isso, ele se tornou inferior à sua própria natureza, pois só se pode ser plenamente homem por Deus, e a terra só é bela por sua ligação com o Céu. Mesmo se o homem ainda é crente, ele cada vez mais esquece o que a religião no fundo é: ele se espanta com as calamidades deste mundo, sem imaginar que elas podem ser graças, pois elas rasgam — como a morte — o véu da ilusão terrestre e permitem, assim, “morrer antes de morrer”, portanto, vencer a morte. Continuar lendo

As verdades irrefutáveis das imagens

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A ingenuidade de certos conceitos que na prática são dogmáticos se explica, por um lado, pelo simbolismo natural das coisas e, por outro, por uma sábia preocupação de proteção; pois, se a verdade tem por função, no fim das contas, divinizar o homem, ela não poderia ter ao mesmo tempo a função de desumanizá-lo. Por exemplo, ela não poder ter o objetivo de nos levar a entrar nos horrores do infinitamente grande, nem nos do infinitamente pequeno, como quer a ciência moderna; para chegar a Deus, temos o direito de permanecermos crianças, e a bem dizer não temos escolha, dados os limites de nossa natureza. Continuar lendo

Uma ambiência que evoque nossa origem celeste

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A vocação sine qua non do homem é a de ser espiritual. A espiritualidade se exerce nos planos que constituem o homem, a saber, a inteligência, a vontade, a afetividade, a produção: a inteligência humana é capaz de transcendência, de absoluto, de objetividade; a vontade humana é capaz de liberdade, portanto de conformação ao que a inteligência apreende; a afetividade humana, que se une a cada uma das faculdades precedentes, é capaz de compaixão e de generosidade, pelo fato da objetividade do espírito humano, a qual faz a alma sair do egoísmo animal. Continuar lendo