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Verdade e fé

A verdade é estática, enquanto a fé é dinâmica (…)

O equilíbrio entre a verdade e a fé é análogo àquele entre a doutrina e o método, ou entre a mente e a alma; a mente bem disposta admite abstratamente a verdade, mas falta muito para que a alma a admita concretamente na mesma proporção ou segundo o mesmo ritmo; é à alma, bem mais que à mente, que se dirigem estas palavras: “Bem-aventurados aqueles que não viram, mas mesmo assim acreditaram.”

A fé é, antes mesmo de seus conteúdos particulares, nossa disposição para crer divinamente possível o que humanamente não o é.


Frithjof Schuon, Logique et Transcendance, Les Éditions Traditionnelles, 1970, cap. 7. Tradução de Mateus Soares de Azevedo.

Foto: Sacerdotes balineses com rosários e sinos de oração em cerimônia religiosa. Imagem de domínio público colhida na Wikimedia Commons. Para acessar o arquivo original, clique aqui.

Criticar os outros exige sempre a humildade e a caridade

“A facilidade de criticar os outros pressupõe no homem uma certa cegueira em relação ao seu próprio estado, mas ao mesmo tempo ela também provoca essa cegueira, pelo efeito da reação concordante inevitável.

“Quem é obrigado a criticar pela força das coisas, ou seja, em função da verdade, deve se mostrar tanto mais humilde e caridoso, e capaz de penetrar o bem secreto das criaturas.”

Frithjof Schuon, Perspectives spirituelles et faits humains, Édition Maisonneuve & Larose, Paris, 1989, p. 260.


Neste texto de Schuon, é importante notar o importante ensinamento de que a crítica fácil também provoca a cegueira quanto a si mesmo— ou seja, é consequência, mas também causa, num círculo vicioso.

50 mil acessos e uma nota já publicada

FS

Este website fez seis anos e completou agora 50 mil acessos, com mais de cem notas (posts) publicadas, três livros online, uma entrevista, vários ensaios e outros recursos.

Em 2019 produzimos menos e tivemos também um número menor de acessos, mais de 7 mil, contra mais de 11 mil em 2018. Mesmo assim, estamos satisfeitos com o que pôde ser feito e agradecemos a Deus por ter-nos permitido continuar com este trabalho.

O que importa — ensinam-nos Schuon, Guénon, Burckhardt e todos os grandes mestres — não é a quantidade, mas a qualidade. Se uma palavra de uma só nota desta publicação tiver ajudado concretamente uma pessoa a aproximar-se mais de Deus e a renovar sua compreensão e sua fé, já estaremos muito felizes.

Mas sabemos que mais de uma pessoa encontrou aqui algo que a ajudou, em algum momento, em alguma medida, em seu esforço espiritual. A Deus o louvor — e continuemos o trabalho.

Falando em esforço, ocorre-nos repetir aqui um excerto dos escritos de Schuon que já foi objeto de uma nota anterior:

“Na realidade, o que separa o homem da Realidade divina é uma barreira mínima: Deus está infinitamente próximo do homem, mas este está infinitamente longe de Deus. Esta barreira, para o homem, é uma montanha; o homem se põe diante de uma montanha que ele deve desfazer com suas próprias mãos. Ele cava a terra, mas em vão, a montanha continua ali; o homem, entretanto, continua a cavar, em nome de Deus. E a montanha se desvanece. Ela jamais existiu.”

(Frithjof Schuon, Les Perles du Pèlerin)

 


Foto: Frithjof Schuon num bosque perto de sua casa em Bloomington, Indiana (EUA).

Silêncio em Deus

Santa Gemma Galgani

Silêncio em Deus — sem fim poderia celebrar-te em mim.
Como a beleza ao amor leva, assim a ventura do amor me trazes —
Mesmo se nenhum’outra alegria me restasse.

Silêncio em Deus — eis que sempre tornas a mim;
E meu coração, incansável, te canta. Como em minh’alma
As graças dia a dia ressoam, por Deus dadas.


[Poema alemão de Frithjof Schuon traduzido e ligeiramente adaptado. A foto é de Gemma Galgani (1878-1903), santa e mística italiana.]

Um ano abençoado a todos os leitores.

Um novo livro online de Frithjof Schuon para o Natal

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Temos a alegria de, neste Natal, trazer ao leitor de língua portuguesa um livro de Frithjof Schuon que já se esgotou em papel, Raízes da Condição Humana, traduzido por nós, com ajuda de nossa filha Liana Becker Queiroz.

O livro começa com um belíssimo capítulo que explica o que é a inteligência. Outros capítulos discutem os limites da ciência, o conceito do Princípio Feminino supremo, o amor etc. Continuar lendo

O estado material é um grão de poeira

“O estado material se estende à nossa volta e se perde nos abismos do espaço; e, no entanto, esse espaço, com suas galáxias e suas metagaláxias, ou com seus bilhões de anos-luz, não é senão um grão de poeira em comparação com o estado anímico, que o envolve e o contém, mas não espacialmente, está claro. O estado anímico, por sua vez, não é senão uma parcela ínfima em relação à manifestação supraformal ou celeste; e esta não é nada em relação ao Princípio.”

Frithjof Schuon, Forme et Substance dans les Religions, Dervy-Livres, Paris, 1975, página 67.

O jagadguru de Kanchipuram e os sacramentos cristãos

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Jagadguru Chandrashekarendra Saraswati Swamigal

por Mateus Soares de Azevedo

Segundo a doutrina católica (e também da Igreja Ortodoxa), sete são os sacramentos (“signos visíveis de uma influência espiritual invisível”, segundo Santo Agostinho):

  1. Batismo
  2. Crisma (ou confirmação)
  3. Confissão (ou penitência)
  4. Eucaristia
  5. Matrimônio
  6. Ordenação sacerdotal
  7. Extrema-Unção (ou unção dos enfermos).

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