“É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha…”

O Sermão da Montanha — Cenas da vida de Cristo. Mosaico da Basílica de Sant’Apollinare Nuovo, em Ravenna, Itália.

No nível da dialética sagrada, o Evangelho nos oferece exemplos de simbolismo hiperbólico: quando o Cristo afirma que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus, ou que basta ter um grão de mostarda de fé para poder mover uma montanha, ele se exprime de maneira tipicamente semita: o que se deve compreender é, de uma parte,  que é impossível à alma entrar diretamente na Glória enquanto ela permanecer apegada a coisas perecíveis — pois é o apego, e não a mera posse, que cria o vício da riqueza — e, de outra parte, que a fé comporta por ela mesma um poder sobrenatural, logo humanamente incomensurável, na medida em que é sincera. O exagero formal tem aqui por função sugerir, por um lado — quanto à riqueza — uma condição sine qua non da salvação e, de outro lado — quanto à fé — uma qualidade participativa e eficiente de absolutez. Observações análogas poderiam ser aplicadas às injunções — conformes a uma dialética isolante na qual uma relação particular está implícita — de oferecer a outra face ou de não julgar, e outras expressões do gênero.

Frithjof Schuon, Logique et Transcendance, Éditions Traditionnelles, Paris, 1982, p. 131. Tradução de MSA.

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