A fundação da ponte dourada…

Por vezes podemos nos perguntar por que
Deus dá ao Maligno uma margem de ação
Que vai muito além do limite
De nosso comum entendimento.

Mas Deus nos inspira a compreensão:
A perfídia do Maligno é, muitas vezes,
Simplesmente a fundação da ponte dourada
Pela qual a alma volta à sua Pátria.

Publico este poema de Frithjof Schuon, tradução de original alemão, apenas como contraponto a declarações maldosas que vemos publicadas aqui e ali sobre mestres legítimos e valores espirituais nobres e verdadeiros.

Como disse o grande Salomão, “o temor a Deus é o princípio da Sabedoria”. A própria desenvoltura com que alguns atacam as coisas sagradas já desnuda o quanto carecem de temor a Deus e, portanto, da sabedoria que, em sua soberba, acreditam ter — embora tenham dela apenas a casca ou uma falsa aparência.

E isto me lembra uma passagem de A Unidade Transcendente das Religiões, passagem que não se aplica a todos os casos que aqui temos em mente, mas que dá uma ideia da gravidade desse tipo de maledicência:

“Assim, nem a incompreensão da parte desta ou daquela autoridade religiosa, nem mesmo uma certa fundamentação da acusação por ela feita, desculpam a iniquidade do processo contra o Sufi Al-Hallâj, da mesma forma que a incompreensão dos judeus não desculpa a iniquidade do processo contra Cristo.

“Numa ordem de ideias muito análoga, pode-se perguntar por que se encontram, nas polêmicas religiosas, tanta tolice e má-fé, e isso mesmo entre homens que, em outras situações, estão disso isentos; esse é um indício seguro de que, na maior parte dessas polêmicas, há uma parcela de ‘pecado contra o Espírito’. Ninguém é repreensível pelo único fato de atacar, em nome de sua crença, uma tradição alheia, se ele o faz por simples ignorância; mas, quando não é esse o caso, o homem será culpável de blasfêmia, pois, ao ultrajar a Verdade divina numa forma estrangeira, ele, em suma, só está aproveitando-se de uma ocasião para ofender a Deus sem ter que fazer disso um caso de consciência; é esse, no fundo, o segredo do zelo grosseiro e impuro mostrado por aqueles que, em nome de sua convicção religiosa, consagram sua vida a tornar odiosas as coisas sagradas, o que só podem fazer mediante procedimento desprezíveis.”

Frithjof Schuon, De L’Unité Transdendante des Religions, Éditions du Seuil, Paris, 1979, pp. 26-27, nota 1. (Há edição brasileira.)

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